Sobre o vazio que acompanha a existência humana
Por Vanderlan da Silva,
Jornalista e Teólogo
A consciência humana ganha suas excelências quando compreende duas palavras que não só o acompanhará, mas que por meio delas o indivíduo mais que alcançar as grandes virtudes – ele toca a perfeição: tratam-se do silêncio e da solidão, distintas, mas complementares.
O ser humano numa assanha avassaladora navega nas águas do pântano sombrio do mundo tentando complementar-se com sexo, dinheiro, conflitos de interesse e ego, poder, posição social, homens, mulheres, entretenimentos, recreações, atividades físicas, psíquicas, cognitivas, motoras e tantas e tantos benezes que o mundo possa lhe oferecer, só que ao fim da jornada, após correr como numa maratona (mas aqui a Olímpiada é a própria vida, a própria existência), a criatura compreende que tudo que buscou, que ansiou não preencheu um vazio que parece um abismo no seu peito, na sua alma, como bem canta Padre Zezinho: “eu não me acostumei, nas terras onde andei”. E o ser humano pode rodar o globo terrestre, sempre chegará à fase do ninho vazio, seja alguém que se uniu em matrimônio, seja alguém que optou por uma vida a só – a casa está vazia, as festas não há mais, pois não há mais ninguém para ir, já não pode sair, beber, falar besteira, curtir – é um momento, uma fase da existência que se encontra só. E como lidar com esse vazio?
Esse vazio se torna um choque de realidade, quando pensamos que nunca será com a gente – e cedo ou tarde chegará sim para cada um de nós. Devemos viver o hoje como último dia de nossas vidas, o ontem só nos serve para superarmos e aprendermos com os erros ou sabermos onde acertamos e conservar o que foi bom, acontece que um dia atrás, por mais aprendizados que possamos tirar dele, nunca mais voltará e o amanhã é uma incerteza dantesca, só aflige, atormenta e tira a paz, portanto a solidez é o hoje – só que mesmo vivendo esse instante, esse momento – o amanhã pode sim chegar para mim! E será mesmo que terei tudo o que tenho hoje? Isso não deve ser algo que nos tira a tranquilidade – em Bethânia, Maria Madalena se põe aos pés de Cristo, banha os seus pés e aproveita com toda a sua existência, com todas as suas potências o momento que tem com o Senhor, pois ela tem a irmã Marta e o irmão Lázaro, só que eles passam – quando tomamos consciência que Jesus / Deus o tivemos ontem, o temos hoje e o teremos amanhã, caso o amanhã haja – isso traz paz não só para o coração, mas para alma.
Viver a vida não deve ser uma prerrogativa, devemos viver, aproveitar cada instante, cada minuto, devemos celebrar a vida de quem amamos, fazer eterno cada momento que é bom, só que nunca perder a ótica que por mais bom que tudo seja, são aves de primeira grandeza, de valor insubstituível, de beleza inigualável, porém em questão de segundos voarão e não podemos deixar que se torne uma folha opaca, cinza, sem brilho, sem vida – nos grandes sertões, nas fazendas centenárias é comum quando vivemos a luz de lamparinas olharmos para o Céu e vermos a Imponência da Lua e das Estrelas: não há som, não há ruído – é o silêncio que nos recorda a solidão, estamos só, sentindo um vazio que se completa a cada pulso do coração, só que se a vida lateja com um músculo pulsante em nosso peito, isso significa que vida não é morte e quem suscita o sopro da vida é o próprio Deus, portanto é quando tudo quieta, quando o silêncio é o que domina o espaço e a situação – aí então escutamos ecoar majestosamente a voz do Criador. A única voz capaz de preencher o vazio da nossa existência!

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